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quinta-feira, 10 de agosto de 2017

pego meu drone e vou pra Vênus

E a gente aqui
Sozinho de novo, fumando aquele cigarro meio torto
Na janela, olhando pro vazio e as pessoas na rua que aparentemente não aparentam ser nada 
E o celular na mão sem nenhum vestígio de existir
Nos lembra de uma atenção que a gente deveria merecer
Mas não recebe 
Lembrando que é bom estar sozinho, mas que dói ao mesmo tempo estar tão longe de tudo querendo pertencer a algum lugar
Querendo se enturmar
É que da tanta preguiça vestir os sapatos sem cadarço
Tatear o bolso atrás da chave 
Procurar o isqueiro que se perdeu dentro de algum casaco
E lembra que se prefere ser sozinho afinal de contas
Tanta coisa pra arrumar
Botar em dia o que há dentro da cabeça
Porque, ah to cansado demais pra ir até lá
To sem dinheiro pra poiar
O cigarro vai acabar
E lá to eu de novo

Todo torto, na janela fumando aquele cigarro que aparentemente lembra nada demais. 

terça-feira, 8 de agosto de 2017

dentro da cabeça, algumas horas


Eu sou louca!
Meu deus, Senhor Jesus Cristo, tô completamente fora de mim!
Eu vou matar meio mundo!
Sai da minha frente!
Sai da minha vida.
Não, pera, falei no impulso, volta, fica, por favor!
Chora.
Não quebra a casa de novo, vai te arrepender.
Quebrou.
Louca.
Na realidade sou bem sã.
Quem me dera ser louca e não ter que conviver com essas pessoas.
As pessoas são ruins demais!
Odeio as pessoas.
Sozinha.
Ai amiga, que saudade, volta aqui me da atenção.
Ai cansei, não gosto de contato próximo, não é pra mim.
Eu to bem, muito bem na verdade, ontem mesmo fui à feira, fui à aula, até num encontro, fui na aula de dança, limpei a casa, joguei um monte de coisa fora, to radiante!
Ih já estou triste, muito triste.
Vi aquele meu amigo numa festa e ele nem me chamou pra ir junto, tudo bem que eu sempre digo que vou, mas na hora não vou, é que sabe dói tanto sair de casa as vezes.
Dói tanto que as pessoas não gostem de mim, logo eu que me desdobro em mil pra agradar.
Mas agora eu já estou bem de novo, passou, sabe como é drama queen, tempestade em copo d'água, tem que fazer pouco caso, né?
Ser mais fria, mais centrada, mais calma.
Nossa como eu sou inteligente, bonita pra caramba, hein!
Mulherão mesmo! Hino em forma de mulher!
Vamos sair, preciso ver gente, to sedenta por diversão!
Ta todo mundo me olhando, eu to gritando demais?
Ninguém me olha com interesse, será que to fazendo alguma coisa de errado?
Essa guria nunca gostou de mim, sempre soube.
Ninguém nunca gosta de mim mesmo.
Preciso sair daqui, agora!
Triste.
Chora.
Ai como eu te amo, nunca vai embora, por favor.
Só que agora pouco já vi uma publicação no facebook do meu ex namorado, parece que ele ta namorando de novo, é isso mesmo ele é um lixo, é isso que da querer ter alguém, dar tudo de si e a pessoa nem ai, embuste né amiga?
Um lixo total.
Eu sou um lixo, meu Deus do céu, eu sou louca.
Para de chorar!
Vai morrer sozinha!
Vai sim, nem olha no espelho não, pra não acabar com o pouco de autoestima que te resta, horrorosa!
Sempre sozinha, olha ai teu celular, nenhuma notificação, quem que vai te querer?
Por isso te trocam por qualquer pessoa.
Por isso qualquer pessoa é melhor que eu!
Queria a atenção de alguém, aquele alguém.
Isso, vai lá catar migalha de atenção, idiota.
Por que eu não consigo manter nada? Por que todo mundo vai embora?
Por que eu afasto as pessoas?
Por que eu arranjo mil coisas pra fazer se eu não faço metade?
Ai desaponta os outros, ai todo mundo te odeia e nem sabe porquê!
Chora.
Ah como eu te odeio, sai daqui, sai de perto de mim!
Tão sozinha.
Muito sozinha.
Lá vem aquele idiota apaixonado por mim encher o saco de novo, otário.
Sai daqui!
Sozinha.
Chora.
Tédio. Muito tédio.
Como que pode.
Chora.
Oi amiga, que saudade vamos sair, beber aquela cervejinha naquele bar que a gente gosta, tenho babados fortissimos, sim de novo.
Sim, pela milésima vez.
Sim, eu fiz isso.
Não, eu não aprendo, não eu não vou escutar, conselho se fosse bom seria pago.
Quer saber, o gato da amiga da minha prima faleceu, ela ta muito triste, vou lá com ela.
Hoje não da, tanta coisa pra fazer, trabalho amanhã, prova amanhã.
Vou ficar por casa.
Sozinha.
É, ta sozinha de novo.
Deveria ter saído.
Pega o celular, mendiga, surta, chora.
Chora.
Chora de novo, mas não se machuca mais, as pessoas não gostam de gente maluca.
Amiga, eu juro, to bem! Foi uma crise.
To com saudades, vem aqui em casa pra gente jantar.
Eu to bem, eu juro.
Eu vou ficar bem.

domingo, 6 de agosto de 2017

lembranças a um amor de maio de alguns anos atrás

Cê acredita se eu contar que eu perdi aquela 3x4 que eu tanto implorei no dia que a gente finalmente se conheceu?
Cê acredita se eu contar que foi você que me deu uma das lembranças mais bonitas e que, apesar do tempo que passou, ainda bota um sorriso meio abobalhado em mim?
Cê acredita se eu contar que quase morri quando tudo aquilo aconteceu?

Mas cê acredita se eu contar que de longe é o melhor que ousou entrar na minha vida?

E se a gente tivesse se conhecido agora? E se a gente não tivesse se desligado? E se cê tivesse sido mais paciente? E se eu tivesse sido mais madura?
Parece estranho e desconexo, falar disso depois de tanto tempo, eu entendo se soar muito esquisito, mas a gente não pode impedir sentimento, né? Pensar em você é tão bonito, da até alegria de ter dividido aqueles momentos.
E fazia um certo tempo que a tua beleza não desfilava na minha cabeça.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Meu sorriso já foi mais branco, minha pele mais macia, já fui mais decidida, hoje em dia eu nem lembro mais meus motivos de euforia. Ontem mesmo eu deixei passar, aquele gatilho na minha cabeça, pela escassez de paciência, acostumei e me tornei mais paciente. Brandei e calei a vontade, o que antes não fazia. Minhas mãos não detinham os calos que nelas hoje repousam, meus olhos não carregavam o peso das vontades não ditas.
Ontem eu era assim, anteontem era menos resistente, algo que você nunca vai conhecer, porque hoje eu já sou outro, amanhã serei outra de novo e assim por diante.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Sobre coisas místicas

Ele vai. Sem rumo, ele busca, ele investiga, ele vai atrás. Ele sonha, ele mergulha, ele anda como se voasse. Pouco ele fala. Mas ele vai! Canta, como se a alma deixasse o corpo que cansou tanto de ir. Mas ele volta e vai de novo.
Ele nunca para, constante mudança. Muda roupa, cabelo, cara, alma, ideia, vontade.
E lá vai ele de novo.
Ele vai e se faz vontades.
Ele dança, fecha os olhos e baila. Ele posa, ele retrata, ele pinta. Ele ri, escuta, opinião forte, sempre. Firme, mas nem tanto. Como uma pipa que perdeu a corda ele vai voando, e passa por todos os cantos deixando um pouco de si. Tudo dele é único. É lindo. É flores e sol. É praia. É brisa. É cigarro na sacada, é brisa que bate, aquela brisa proibida mesmo.
Ele é contra tudo que amarra. Ele é libertação. É arte pura e ambulante.
Ele é lindo e me passa a calma que eu nunca jamais terei. Ele me bota no chão e vai.
Ele vai, mas nunca se foi daqui. Aqui ele mora e jamais deixarei ir.
Ele é a parte livre de mim.
Ele vai.
E foi.

domingo, 2 de outubro de 2016

Nunca amei ninguém assim.

Desembaraçando os fios dos teus cabelos longos
É assim que eu te vejo, Poliana.
Pulando pela sacada, cultivando teus morangos
Ou das cantigas que tu me cantas até pegar no sono.
Assim que eu lembro, Poliana.
Desolada em teus desamores, repetindo: "Sim, eu recordo teu cheiro, Poliana".
Pessoas estranhas me olhando, eles lembram de você guria.
E quando tu me deixas, aos pulos, sozinho eu murmuro: "Eu te amo, Poliana".

sábado, 19 de setembro de 2015

Please don't drop me home.

Tua ausência me deixa tão tranquila.


Não saber nada de ti me deixa tão quieta e calma, faz minha cabeça parar de turbilhão, calando sandices faladas para te por perto.
Eu sou assim, doida e gosto.
Me irrito com a posição do papel higiênico, retiro toda e qualquer embalagem de todo e qualquer produto que estiver em minhas mãos. Pinto as unhas e descasco o esmalte por nervosismo e as deixo assim por pura preguiça. Gosto que todos saibam de tudo e isso acaba com a essência de todo relacionamento que eu ouse ter. Começo e nunca concluo nada, exagero nas reações fazendo todos pensarem que estou morrendo por algo que, na realidade, eu nem ligo tanto. Tenho pavor de medicamentos neurológicos, mas vício por aspirinas e tylenol. Eu me apaixono fácil, e todo mundo sabe disso, mas eu teimo em te dizer que não consigo me apaixonar por ninguém estando perdidamente encantada em ti.
Eu falo demais sobre mim, mas falo para preencher o vazio do teu silêncio e do teu descaso.
Sei que tu és como eu e que talvez o descaso te apaixone.
Eu tenho cicatrizes, físicas, muitas delas. Eu fumo como uma condenada e talvez eu esteja.
Tu quer me conhecer como eu quero te conhecer? Perder horas observando tuas mãos, o jeito como ajeita os óculos, bagunça o cabelo, arruma o lençol na cama e o bagunça com a insônia.
Talvez eu esteja exagerando nesse sentimento por não conseguir mais sentir e isso eu falo com sinceridade.
Eu não sou quem tu queres que eu seja, mas ah! como eu desejo, que tu desejes, que eu te deseje. Eu não aprendi a ter autocontrole de sentimentos, meu doce, eu não aprendi a amar gente como eu.
Eu não aprendi a querer alguém com intensidade, não sei demonstrar e quando tento sai tudo as avessas. Insegurança sim e medo também, não vou negar. Mas a vontade de ti existe e preciso que me sanes essas duvidas antes de seguir em frente.

Talvez essa seja minha teimosia.