O fartava novamente falando sobre os amores, as polemicas, os rancores, os desânimos.
Ele levantou o tronco pelos cotovelos e a encarou absorta em pensamentos, cantarolando Codinome beija-flor.
- Já percebeu que tua vida trágica é como “Exagerado” do Cazuza? – ele falou a vendo abrir os olhos e o encarar pelo canto dos olhos castanhos – Digo, não só “exagerada”, e sim te encontro um pouco em balanços, em codinomes, em tempos, em milagres, nas quartas-feiras, inventando amores. – ela parou para prestar atenção, riu.
Ele tinha razão.
- “Tentar ficar amigos... Sem rancor...” – ela o olhou com intenções no olhar, as intenções de atingi-lo. “A emoção acabou. Que coincidência é o amor”, ele pensou voltando a deixar novamente olhando para o teto. Nem sabia o que estava fazendo ali, com ela, novamente, cedendo às vontades dela. A adentrando novamente, transbordando de saudade daquele corpo. Sem romance. Mas era assim, sem sentido, ele a desejava como desejava todas que não conseguia ter, mas des-desejava dias depois. Com ela... Eram outros quinhentos.
- A gente é tão “eu preciso dizer que te amo”. – ela disse depois do silêncio. – Porque tu me choras dores de outros amores que nem são tão amores na realidade, e eu preciso tanto dizer e colocar em outdoors que eu te amo, lembrando todo mundo que é por ti, que eu sofro.
Silencio.
- Franco? – ela sussurrou inaudível desejando que ele não tivesse escutado.
- Sim?!
- Por que eu não te sirvo? – falou querendo não falar, mas ela não era daquelas que voltava atrás.
- Quem disse que não me serves? – ela o encontrou com o olhar.
- É que você demonstra. Porque o nosso amor, eu invento. A gente é pedra, flor e espinho. A gente não se encaixa, não quer se encaixar.
- É que tu sabes, o meu coração é só um desejo de prazer...