Mergulhei-me no sono mais profundo das décadas. Coloquei-me no lugar posterior ao que chamamos de vida. Então encarei os lugares mais sombrios com os olhos bem abertos, até me deparar com meu nome entalhado em mármore gélido com o teu nome ao lado. Com uma melodia, parecida com a que costumávamos cantar. Então eu entendi. Compreendi. A eternidade da vida é breve. A eternidade do saber é vaga. A expansão dos sentimentos é passageira. A vida nada mais é do que uma breve ligação, quando o telefone alheio esta ocupado. Sabe, tudo isso dói, machuca, corrói.
Vamos aceitar nosso estado, de absoluta carência. Não me faça errar novamente. Não me faça mergulhar em penumbra. Eu estou bem, não está vendo? Eu entalhei em meu peito a verdade que não é de uma brutalidade sem fim, até que me é doce, sabe?
Veja bem, minhas esperanças, acabaram. Sabe? Mas eu ainda vivo os sonhos. Por agora eles não se tornaram pesadelos. Todas as ilusões evaporaram como um estapear. Mas não me derrubaram. Porque, eu não me deixei derrubar, entende?
Finalmente eu aceitei a naturalidade dos fatos, eu finalmente compreendi por completo.
Eu não posso ter o que acho que me seria mundo; mas eu ainda tenho a mim, mundo.
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