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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Meu analista é o cobrador de ônibus.

Olhando pela janela me pergunto se deveria estar olhando para dentro; olho para ti, me perguntando se deveria estar olhando para mim mesma. E chego à conclusão de que a vida é como um transporte público, onde é colocado lá um montante de gente aleatoriamente (des)conhecida, na hora de pique depois de um trabalho cansativo, esperando por um assento vazio, uma notícia, uma oportunidade de escaldar os pés cascudos e repousar a cabeça branca no colo de uma bela moça.

Olho pela janela e noto que são quase sete horas e meus pés doem.
É quase sexta e não finalizei o que deveria ter finalizado.
É novembro e lembro-me do que não me lembrei de fazer.
Tenho quase 20 e não sei o que vou fazer da vida.
Tenho quase 30 e não sei se quero constituir família.
São sete horas de uma quinta-feira de novembro, tenho quase vinte, estou sentada em uma condução e nem sei em qual ponto devo desembarcar.
Estou desacreditada, desamada e não sei quem devo afogar. 
Estou olhando pra fora querendo olhar para dentro. 

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