Olhando pela janela me pergunto se deveria estar olhando
para dentro; olho para ti, me perguntando se deveria estar olhando para mim mesma. E chego à conclusão de que a vida é como um transporte público, onde é colocado
lá um montante de gente aleatoriamente (des)conhecida, na hora de pique depois
de um trabalho cansativo, esperando por um assento vazio, uma notícia, uma
oportunidade de escaldar os pés cascudos e repousar a cabeça branca no colo de
uma bela moça.
Olho pela janela e noto que são quase sete horas e meus pés doem.
É quase sexta e não finalizei o que deveria ter
finalizado.
É novembro e lembro-me do que não me lembrei de fazer.
Tenho quase 20 e não sei o que vou fazer da vida.
Tenho quase 30 e não sei se quero constituir família.
São sete horas de uma quinta-feira de novembro, tenho quase vinte, estou
sentada em uma condução e nem sei em qual ponto devo desembarcar.
Estou desacreditada, desamada e não sei quem devo afogar.
Estou olhando pra fora querendo olhar para dentro.
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