- Senhor, me veja uma das suas melhores bolas de cristal. – falou para o senhor grisalho de trás do balcão.
- Não me diga que acredita nestas coisas, minha querida. – o senhor a olhou com certa pena.
- Não, não acredito, – disse ela – mas prefiro acreditar em mentiras, a jogar meu futuro nas mãos de sabe lá quem.
- Bem, me diga o que desejas ver? – ele a olhou com curiosidade aparente.
- Luz... – falou absorta em certos devaneios, quem era ela ultimamente? Não agia deste jeito maldito há bons três anos – Mas não demasiadamente, entende? Só o necessário de luz para me fazer enxergar o que se põe a frente, não para me cegar como tem feito. Por que eu sinceramente não me suporto mais, esse meu jeito negativo de tratar qualquer situação, de olhar a tempestade como quem olha a lua. – olhou para o senhor que não compreendia.
Agarrou a carteira, retirou os trocados, pegou e foi embora.
Agarrou a carteira, retirou os trocados, pegou e foi embora.
Mas não poderia suportar aquilo novamente, aquela tormenta e penumbra que se arrastaram por anos; não queria viver estancada no passado, mas era o que mais a assustara - pisar em terreno fértil corroía seus ossos.
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